Consumidores trocam supermercado por internet na hora de comprar vinho

Empresa especializada espera crescimento de 60% das vendas online de alimentos e bebidas

Economia Fernando Mellis, do R7 03/08/2017 – 00h14

Chegou o inverno e a publicitária paulistana Larissa Melo intensificou o consumo de vinho em casa. Mas neste ano, ela mudou a forma como compra as bebidas.

“Eu sempre comprava vinhos no mercado, mas confesso que ultimamente não é o que tenho feito”, diz.

Larissa passou a adquirir vinhos na internet, um movimento que vem ganhando força nos últimos anos no País. Ela explica as razões que levaram à mudança de hábito.

“Normalmente quando você vai ao mercado não tem muito tempo para ler rótulos e entender direito o que está levando. E nem sempre tem um sommelier para te ajudar. Na internet, já tem muito mais informações. Ultimamente, só compro vinhos que conheço no mercado e só quando preciso naquela hora”.

As adegas online representam 50% do volume de negócios do setor de alimentos e bebidas na internet, de acordo com a empresa Ebit, especializada em e-commerce.

A Ebit não tem números isolados do e-commerce de vinhos, mas segundo o CEO da empresa, André Dias, esse ramo tem conquistado internautas em 2017.

“Nós temos notado que o setor de alimentos e bebidas, como um todo, vem crescendo. Neste ano, é o que mais se destaca no comércio eletrônico. A estimativa para 2017 é que o crescimento seja próximo de 60%. Se nós analisarmos dentro dessa categoria de alimentos e bebidas, o forte mesmo é a venda de vinhos”, observa.

Atualmente, segundo a Ebit, existem 16 sites brasileiros especializados na venda de vinhos. "Além disso, todos os outros grandes marketplaces também comercializam produtos desta categoria", acrescenta Dias.

Apesar do protagonismo, o ramo de alimentos e bebidas representa apenas 1,5% do volume de vendas online no Brasil.

Trata-se de um segmento com ainda espaço para crescer, uma vez que o nível de emprego e renda volte a subir em todo o País.

Por outro lado, os sinais dados pelas vendas nos supermercados não têm sido bons.

Estudo sobre vinhos da consultoria Nielsen divulgado no ano passado mostrava que o "consumidor tem menor concentração no autosserviço [supermercado] e demanda por canais especializados".

O mesmo levantamento mostra que entre agosto de 2015 e março de 2016, as vendas de vinhos nos supermercados cresciam acima de 10%. No entanto, em julho do mesmo ano, elas subiram apenas 2,4%.

Responsável pelo setor de indústria de bebidas na Nielsen, Daniel Asp Souza destaca o fato de o mercado de vinhos ter perdido cerca de 1,5 milhão de lares brasileiros entre 2015 e 2016.

“Eu não espero que esse cenário tenha mudado. Pode ser que não tenha se intensificado essa queda, mas, seguramente, essa retomada do consumo ainda não aconteceu”, avalia.

Souza diz que a internet tem potencial para ajudar na retomada do mercado de vinhos como um todo.  

“Acho que [a internet] é uma maneira importante de acelerar o consumo e que passe a ter uma compatibilidade de preço positiva. Até porque o espaço do supermercado custa caro”, afirma.

“O supermercado tem outro perfil, do consumo mais imediato. Eu não acho que eles sejam substitutos, eles se complementam. Se é uma pessoa que toma mais e vai abastecer a casa, pode recorrer ao e-commerce”, acrescenta.

Uma das primeiras adegas online do País, a Wine.com.br tem “caçadores de rótulos” que viajam sempre para trazer novidades aos clientes. Para o CEO da empresa, Rogerio Salume, um consumidor que compra com tranquilidade e informações costuma ficar mais satisfeito.

“A gente tem contribuído para que o brasileiro tenha mais curiosidade e vontade de experimentar o vinho. Sem dúvida nenhuma, o inverno é um grande momento da indústria do vinho”, observa.

Salume não divulga números, mas diz que a Wine, em 2017, “está crescendo dois dígitos, fechando já o primeiro semestre”.

Sinais de que o brasileiro está mais interessado em vinhos quando navega pela internet já começam a surgir.

O termo "comprar vinho" atingiu o maior índice de popularidade nas buscas do Google (na semana de 18 a 24 de junho), em comparação com os últimos 12 meses.

Em uma escala de 0 a 100, em que 100 significa alta popularidade, o termo atingiu 99 e 100 pontos nas duas semanas mencionadas. Entretanto, esse patamar tem ficado acima de 70 desde o começo de maio.

Os Estados que mais buscaram vinhos online neste ano são: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo.

Sites fazem campanhas agressivas de promoções Reprodução

Descontos

A estratégia das empresas para crescer inclui rótulos variados (muitas vezes exclusivos), muita informação e preço atraente.

Em 14 de julho, dia em que a França comemora a queda da Bastilha, as lojas aproveitaram para fazer ofertas de vinhos franceses.

No Wine.com.br, os descontos chegavam a 45%. Era possível comprar garrafas a partir de R$ 31,20.

Em outro site, o Evino, os descontos iam até 65%. A reportagem encontrou um kit com cinco garrafas de tintos franceses de R$ 404,90 por R$ 162,90: 60% de desconto.

Mesmo sem campanhas especiais, os sites lançam “descontos-relâmpago”, em que alguns rótulos chegam a ter abatimento de 70% do preço original.

Em média, os internautas gastam R$ 250 por compra nos sites de vinhos, de acordo com a Ebit. É um indicativo de que esses consumidores costumam adquirir mais de uma garrafa.

O CEO da Wine diz que o preço é apenas um item, mas explica que os clientes buscam mais do que isso.

“Eles gostam da comodidade, da praticidade e pelo fato de termos disponíveis uma variedade de rótulos”, acrescenta.

A reputação das adegas online como a Wine e a Evino também tem selo de excelente na Ebit. Mais de 90% dos consumidores afirmam que voltariam a comprar. O percentual de entregas no prazo também supera 90%.

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