Especialista alerta sobre uso indiscriminado de remédios para dormir

17/06/2017

Aprovação de medicamento reascendeu a discussão do uso indiscriminado de remédios para dormir

BRASÍLIA – A regulamentação do Rozerem (ramelteona), medicamento de combate à insônia, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal de alerta entre os médicos que atuam em reequilíbrio corporal de pacientes. Segundo o médico Theo Webert, que atua em nutrologia e qualidade de vida, a aprovação da nova droga precisa ser avaliada com cautela.

“As pessoas estão negligenciando o sono, porque cada vez se dorme menos e pior. Tudo isso devido a nossa vida agitada, por causa do alto nível de estresse, à cobrança, e o sono não se torna uma prioridade”, analisa o especialista. Segundo ele, a possibilidade de se recorrer a uma nova forma de indução ao sono faz com que os pacientes se distanciem da perspectiva de conhecer o real motivo daquele distúrbio.

Theo Webert avalia o lado positivo e o negativo da liberação do novo medicamento. “Sem dúvida, algumas pessoas serão beneficiadas porque voltarão a dormir e terão a qualidade do sono de volta as suas vidas. No entanto, há o risco de pacientes também acabarem mascarando as causa do problema e ainda postergarem o tratamento ideal”, explica.

Cuidado

O médico sustenta ainda que pessoas com tendências depressivas e oscilação de humor precisam ter cuidado redobrado ao decidirem fazer uso de substâncias desse tipo. “A partir do momento que ela passa a fazer uso, pode ser que o consumo se torne compulsivo e exagerado. Se você observar, as pessoas com distúrbios do sono possuem oscilação de humor, tendência depressiva, depressão e ansiedade. Não é um sintoma isolado”, reforça.

O Rozerem teve o registro aprovado e publicado no Diário Oficial da União da na segunda-feira, 12. Inédito no Brasil, o remédio será vendido em farmácias na forma de comprimidos revestidos, de 8mg cada. Atualmente, a insônia afeta entre 10% e 25% da população geral adulta, de acordo com dados divulgados pela Anvisa. “Moramos num país que liberou recentemente a melatonina, mas que já é um dos maiores consumidores de Rivotril do mundo. Temos que ficar em alerta”, finaliza.

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