Negócio funciona como uma feira online comercializando alimentos produzidos em agricultura familiar
Por Nathalia Fabro, com Cassiano Ribeiro
Abrir uma tela, escolher os produtos e finalizar a compra. O maior esforço? Ir até o portão de casa ou buscar o pacote na portaria do prédio – tão comuns em São Paulo. Inclusive, foi pensando na rotina agitada dos paulistanos que surgiu o Leve BEM delivery de orgânicos. Como o próprio nome remete, a empresa entrega verduras, frutas, legumes e outros produtos sem agrotóxicos ou conservantes direto na sua residência.
O e-commerce existe desde 2013 e funciona como uma verdadeira feira, que funciona online. No site é possível comprar alface, tomate, banana, abacaxi, alho e até itens industrializados de marcas orgânicas e “naturebas”, como massas, mel, molhos de tomate e farinhas.
A ideia do empreendimento é do casal Carolina Brenoe Vieira, 32, e Eduardo Castagnaro, 35 anos. Em 2011, os dois levavam uma vida típica dos meios urbanos – moravam na capital paulista, trabalhavam no mundo corporativo e não consumiam orgânicos. Cansados da mesmice e com a vontade de ter uma experiência diferente, eles partiram para um ano sabático no exterior: passaram seis meses na Austrália e os outros seis na Tailândia e Indonésia. “[Com a viagem] nós mudamos nossa maneira de pensar e o que queríamos para nossa vida. Na volta, ficamos questionando muito o que a gente ia fazer dali para frente e decidimos abrir um negócio e sair da cidade grande”, conta Carolina.
O foco de atuação do Leve BEM também foi inspirado nessa jornada, visto que a culinária desses países asiáticos utiliza muitos vegetais e os dois começaram a ter contato e a se interessar por uma alimentação mais natural e saudável. Em seguida, o casal foi pesquisar quais áreas desse segmento gostaria de investir e qual o modelo de negócio era o mais apropriado para o novo estilo de vida que os dois pretendiam adotar. “Há cinco anos o mercado de orgânicos ainda era muito restrito. Existiam poucas feiras e nenhum delivery. Procurávamos informações e quase não achávamos. Vimos que tinha uma demanda em crescimento mas não tinha oferta”, fala Carolina.
Da cidade ao campo
Quatro meses depois do site começar a funcionar, Carolina e Eduardo decidiram mergulhar de vez no negócio. Fizeram as malas e mudaram para Vargem Grande Paulista, a 45km da capital.
Além de ter um cenário predominante verde, a região do município é polo de agricultores de orgânicos. Atualmente, os fornecedores dos alimentos vendidos no e-commerce são pequenos produtores familiares de todo o país que possuem certificação. A maior parte de folhagens e alguns legumes chegam de Ibiúna (SP) e as frutas, principalmente as regionais, são provenientes do Norte e Nordeste. Produtos do Rio Grande do Sul e de outras cidades do interior de São Paulo também são comercializados no site.
“Inicialmente a gente até queria plantar, mas é preciso ter um conhecimento da terra, da planta, do ciclo, que o produtor tem. Então a gente chegou à conclusão que não íamos dar conta de conciliar o site com o trabalho manual, e decidimos fortalecer a economia dos produtores locais”, diz a empreendedora.
Investimento e logística
Para tornar o negócio realidade, além do entusiasmo e força de vontade, o casal investiu cerca de R$ 40 mil, oriundos de finanças e da venda de um carro. “Pensamos no e-commerce pela praticidade do cliente, pela comodidade e também para ter um custo menor de manutenção. Desde o princípio não queríamos abrir uma loja física para que a gente não ficasse refém”, explica Carolina.
A única instalação física do Leve BEM é um galpão restrito – que fica em Vargem Grande Paulista -, onde o casal faz a triagem, a seleção e a finalização das 150 cestas que são vendidas, em média, por semana. É de lá também que a pequena equipe de motoristas sai, todas às terças e quintas, para realizar as entregas em São Paulo.
No geral, o delivery abrange as zonas oeste e sul da cidade. Entre os bairros atendidos estão Lapa, Barra Funda, Jardins, Vila Olímpia, Pinheiros, Itaim, Brooklin, Bosque da Saúde, Butantã, Chácara Santo Antônio, Morumbi, Centro e até a região de Alphaville.
Apesar do público-alvo ser pessoas que levam uma rotina agitada, Carolina e Eduardo também atendem algumas padarias, colégios e restaurantes em vendas por atacado. Ocasionalmente, eles participam de eventos e feiras para divulgar o Leve BEM, conhecer e tirar dúvidas de clientes. Em datas específicas, o casal também monta uma “feirinha” no estúdio My Yoga e no restaurante Casa Tavares, ambos do Jardim Paulista, para vender os orgânicos. Por serem parceiros, o restaurante também utiliza os alimentos para realizar um brunch orgânico.
Mercado
De 2013 para cá, o setor de orgânicos foi um dos que mais cresceu no Brasil e no mundo. Segundo o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), o mercado nacional cresceu 20%, com faturamento aproximado de R$ 3 bilhões em 2016. No mesmo ano, as exportações somaram US$ 145 milhões. Para 2017, a expectativa de crescimento da Organis é de 10%. Já no planeta, estima-se que o setor movimente de US$ 80 a 90 bilhões por ano, representando 80% do mercado global.