Fiocruz e USP lançam plataforma para criar dispositivos de diagnósticos

Numa primeira fase, a ideia é ter chips para diagnósticos de zika e dengue

Por Redação – Editorias: Atualidades, Rádio USP

Um esforço conjunto entre Fiocruz, USP, Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto pode levar o Brasil a uma  desoneração em torno de US$ 19 bilhões no déficit ocasionado pela importação de insumos da indústria biofarmacêutica na balança comercial brasileira.

É o que poderá gerar uma plataforma para aproximação da pesquisa básica orientada ao desenvolvimento de produtos biotecnológicos, que está em fase de implantação no campus da USP em Ribeirão Preto.  

O projeto piloto dessa plataforma tem foco nos dispositivos médicos, com  ênfase inicialmente em um dispositivo POC, point of care, molecular para detecção dos vírus de Zika, Dengue e Chikungunya.

O diretor da Fiocruz em Ribeirão Preto, Rodrigo Stábeli, falou mais sobre essa plataforma e seu impacto no sistema de saúde brasileiro e no mercado nacional de diagnósticos e insumos para diagnósticos. Clique no link acima e ouça a matéria na íntegra.

Norma simplifica processo de importação

Procedimento foi desburocratizado com a eliminação de exigências que impactavam no custo de armazenagem das empresas.

Por: Ascom/Anvisa
Publicado: 08/01/2018 14:42
Última Modificação: 08/01/2018 14:44

Os procedimentos para importação de produtos sujeitos à vigilância sanitária foram simplificados. A Anvisa publicou nesta segunda-feira (8/1) a resolução RDC 208/2018 que eliminou algumas exigências da norma anterior.

A medida simplifica alguns procedimentos e deve ter um impacto positivo no custo de armazenagem das empresas que trazer produtos relacionado à saúde para o Brasil.

De acordo com o diretor de Controle e Monitoramento Sanitários, Willian Dib, a RDC 208 retirou das exigências documentos que as empresas só conseguiam depois que as cargas chegavam ao país, o que gerava custos com armazenagem, encarecendo o preço final dos produtos.

Segundo Dib o foco é atuar baseado no risco “A simplificação do processo referente a licenças de importação é mais uma iniciativa da Anvisa que visa racionalizar sua atuação e focar nos produtos com maior risco.”

A Agência também está abrindo uma consulta pública sobre o gerenciamento de risco sanitário aplicado às atividades de controle e fiscalização na importação de bens e produtos sob vigilância sanitária

Confira as principais mudanças da RDC 208/2018:

Alterações
Alterado o prazo de cumprimento de exigência para 30 dias. Alterado capítulo de rotulagem que agora diferencia as informações segundo a classe de produtos.

Revogações

Vinculação de NCM a determinado procedimento.

Todos os dispositivos que determinavam a análise do processo no local do desembaraço do produto.

Todos os dispositivos que requeriam a autenticação e reconhecimento de firma.

Exigência de registrar nas observações da LI os dados de AFE e registro do produto, que passam a integrar o formulário eletrônico de petição.

Exigência de declaração de lote, pois essa informação consta no formulário eletrônico de petição.

Exigências de autorização de embarque, agora restritas a procedimento 1 que incluiu a lista C3.

Exigência de comunicação de Entreposto Aduaneiro.

Exigência de licenciamento de cabelo e vestuário.

Exigências de GRU, assinatura de responsável técnico, autorização de acesso, declaração de lotes, procuração e documento de averbação emitido pelo recinto alfandegado que comprovem a presença da carga.

Exigência de certificado e laudo de análise para importação de alimentos.

Farmacêutica Celgene faz oferta pela Impact Biomedicines

Última atualização 8 Janeiro, 2018

NOVA YORK  –  A farmacêutica americana Celgene informou no domingo que fechou um acordo para adquirir a Impact Biomedicines, empresa americana de biotecnologia especializada em doenças no sangue, em um negócio que pode chegar a US$ 7 bilhões.

O acordo prevê que a Celgene pagará, em um primeiro momento, US$ 1,1 bilhão pela companhia. Ela se comprometeu a desembolsar mais US$ 1,4 bilhão caso o tratamento para mielofibrose – tipo de câncer que afeta as células responsáveis pela produção de sangue na medula óssea – da Impact Biomedicines seja aprovado pelas autoridades regulatórias e mais US$ 4,5 bilhões se as vendas globais anuais do tratamento excederem US$ 5 bilhões.

A Celgene é uma das maiores empresas de biotecnologia dos Estados Unidos, com valor de mercado de mais de US$ 80 bilhões, especializada no tratamento de câncer. A Impact é uma empresa estabelecida há menos de dois anos, criada para retomar a produção do fedratinib, medicamento para o tratamento do mielofibrose cujo desenvolvimento foi interrompido  pela francesa Sanofi em 2013, por conta de seus efeitos colaterais. No ano passado, o regulador da área de medicamentos dos Estados Unidos, a Divisão para Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), liberou a retomada dos testes com o medicamento.

Se aprovado, o fedratinib poderá concorrer com o jakafi, um dos principais produtos no mercado para o tratamento de câncer no sangue, produzido pela americana Incyte.

Fonte: Valor Online

Em fevereiro, 2ª turma do curso de estratégias de acesso e marketing nos sistemas de saúde

O Sindusfarma abriu inscrições para a segunda turma do curso inédito ‘Acesso de Medicamentos e Farmacoeconomia no Sistema de Saúde Brasileiro’, que qualifica profissionais da indústria farmacêutica na elaboração de estratégias de acesso no planejamento de marketing nos mercados de saúde público e privado.

Ministrado por renomados executivos da indústria, o curso começa no próximo dia 23 de fevereiro e está distribuído em 14 módulos, sempre às sextas-feiras. Profissionais de empresas associadas ao Sindusfarma desfrutam de 50% de desconto.

Entre outros temas, o curso vai mostrar como funciona o processo de registro, precificação e obtenção de acesso para medicamentos no Brasil; quais as formas de financiamento da saúde e de pagamento de medicamentos, e como integrar estratégias de acesso no planejamento de marketing.

Anvisa aprova teste que diagnostica meningite em uma hora

8 jan 2018
21h15

O FilmArray, plataforma de biologia molecular desenvolvido pela Biofire, empresa do grupo bioMérieux, líder mundial em diagnóstico in vitro, agora possui mais um painel aprovado pela Anvisa: o FilmArray Meningitis/Encephalitis Panel. O sistema identifica em até uma hora 14 tipos de agentes causadores de Meningite e Encefalites, sendo 6 bactérias, 7 vírus e 1 fungo, direto da amostra de clínica de líquor.

Em comparação com testes convencionais, a tecnologia do FilmArray possibilita reduzir o tempo para obtenção dos resultados, em alguns casos, de 4 a 21 dias para apenas 1 hora.

"No caso das meningites virais, o diagnóstico padrão é por meio da identificação material genético do vírus na amostra de líquor pelo método de PCR. Os prazos dos resultados variam bastante entre os laboratórios,
normalmente entre 1 a 4 dias. Esse prazo é similar ao do resultado final da cultura, referência nos casos de meningites bacterianas", afirma o Dr. Gustavo Bruneira, Diretor Operacional do Senne Liquor Diagnóstico, de São Paulo, pioneiro no Brasil no uso do FilmArray Meningitis/Encephalitis Panel, sistema de diagnóstico rápido que detecta a meningite e a encefalite em até uma hora.

"Já para os casos de meningite por Cryptococcus, a cultura pode demorar até 21 dias e os testes disponíveis (tinta da china e pesquisa de antígenos por aglutinação em partículas de látex), exigem profissional capacitado e têm sensibilidade inferior", explica.

O sistema FilmArray não demanda grande quantidade de amostra para obtenção do resultado, o que também significa menos desconforto para o paciente, segundo o especialista. "A obtenção de amostra de líquor, ou líquido cefalorraquiano, se faz rotineiramente por meio de uma punção lombar, um procedimento invasivo que como tal traz riscos inerentes ao procedimento. Uma vez que a amostra de líquor adicional não é facilmente obtida, metodologias que utilizam pequenos volumes, a exemplo do FilmArray, são fundamentais", afirma Bruneira.

A meningite e o diagnóstico rápido – Todas as faixas etárias, dos recém-nascidos aos idosos, estão propensas a contrair meningite. O que muda é o agente etiológico mais frequente, de acordo com idade e status imunológico do paciente.

Segundo o médico especialista do Senne liquor, os mais frequentes agentes etiológicos, especialmente nas crianças, são os vírus do grupo dos Enterovírus. Nos indivíduos imunossuprimidos, como transplantados, o Cryptococcus neoformans (fungo). Nas meningites bacterianas, temos o Neisseria meningitidis e o Streptococcus pneumoniae como os mais frequentes, porém nos bebês e nos idosos precisamos sempre pensar em Listeria monocytogenes, assim como no Haemophilus influenzae nos pacientes não vacinados.

"O diagnóstico rápido e preciso é fundamental em todos os casos, uma vez que propicia o tratamento adequado. Especialmente nos casos de meningites virais, o diagnóstico rápido e preciso, aliado a outros parâmetros clínicos e laboratoriais, pode significar a não internação do paciente, evitando o uso empírico de antibióticos, o risco de infecção hospitalar, etc.", avalia o médico especialista do Senne Liquor.

"De fato, o diagnóstico rápido e preciso traz benefícios sociais e econômicos importantíssimos ao paciente e ao sistema de saúde. No caso das meningites bacterianas mais frequentes, a vacinação é fundamental, enquanto que nas virais as medidas preventivas são basicamente higiene pessoal e de alimentos", conclui o médico especialista do Senne Liquor.

Como funciona – O FilmArray® é uma técnica de biologia molecular que consiste em uma estação de trabalho, na qual é inserido o painel – um cartucho a vácuo -, com diferentes reservatórios, onde ficam os reagentes. Nele é injetada a solução de hidratação por sistema à vácuo e depois a amostra a ser analisada. O sistema faz o resto.

Durante a análise, o FilmArray extrai e purifica todos os ácidos nucleicos da amostra não processada. Em seguida, realiza a técnica Multiplex PCR, em que um fragmento específico da molécula de DNA é amplificado milhares de vezes em curto espaço de tempo. Os microrganismos presentes são amplificados e a detecção é realizada utilizando a tecnologia Microarray.

Ao final, o Software FilmArray analisa e libera um relatório com os resultados da amostra. Quando o processo, que leva apenas uma hora, se completa, o software informa a presença ou ausência de cada patógeno na amostra.

Sobre a bioMérieux
Há mais de 50 anos no mercado, a bioMérieux é líder na área de diagnóstico in vitro. Em todo o mundo, a empresa tem o propósito de contribuir efetivamente com o desenvolvimento da saúde pública, fornecendo soluções (reagentes, equipamentos e softwares) que determinam a origem da doença e de contaminações de produtos industrializados a fim de melhorar a saúde do paciente e garantir segurança aos consumidores.

Fundada na França em 1963, a bioMérieux tem cerca de 5.800 colaboradores e está presente em mais de 150 países, por meio de 42 filiais e uma ampla rede de distribuidores. Em 2016, as vendas da companhia atingiram 2,3 bilhões de euros.

No Brasil, a bioMérieux possui o laboratório P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) situado no Rio de Janeiro, que foi inaugurado em 2009, e até 2014 a equipe teve como missão dar suporte à produção local da linha Imuno e desenvolver produtos de interesse para o grupo bioMérieux. No final de 2014, a visão do setor P&D da bioMérieux Brasil mudou para focar nas infecções tropicais e servir à estratégia local e global, a fim de responder às necessidades dos mercados emergentes e negligenciados.

A família Mérieux tem uma tradição ao longo de um século de compromisso na luta contra as doenças infecciosas. Marcel Mérieux, que trabalhou com Louis Pasteur e fundou o Instituto Mérieux, o Dr. Charles Mérieux, Alain Mérieux e Dr. Christophe Mérieux dedicaram suas vidas à biologia, com o objetivo de melhorar a saúde mundial.
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Mais informações:
Veropress Comunicação Corporativa – Assessoria de imprensa da bioMérieux
Thais Abrahão (thais@veropress.com.br) – (11) 9900-8402 / (11) 3061-2263 e Rosana Monteiro – (Rosana1@veropress.com.br) – (11) 3062-0843

Website: http://www.biomerieux.com.br

Cellera Farmacêutica compra antidepressivo da Novartis

Em expansão, laboratório brasileiro adquire diretos de antidepressivo Pamelor

Última atualização 8 Janeiro, 2018

O laboratório brasileiro Cellera Farmacêutica adquiriu os direitos de marca e propriedade intelectual do medicamento Pamelor. O produto pertencia à companhia suíça Novartis. O deal foi concluído em 22 de dezembro e o valor da transação ainda não foi divulgado pelas partes.

Fundado pelo empresário Omilton Viconde Júnior em sociedade com o fundo de private equity Victoria Capital Partners, o Cellera Farmacêutica chegou a ser apontado como uma das apostas do setor no início do ano passado. Em abril de 2017, o laboratório comprou o Instituto Terapêutico Delta, que pertencia ao grupo Valeant do Brasil, e passou a deter os direitos de fabricação e venda de 16 medicamentos produzidos pelo Valeant.

Na operação de venda dos direitos do Pamelor, um medicamento antidepressivo a base de cloridrato de nortriptilina, o escritório Pinheiro Neto Advogados

Fonte: Lexis 360

Biotecnologia e saúde

04/01/18 | Equipe Online – online@jcruzeiro.com.br

Marcos Cândido de Azevedo

Nano é a bilionésima parte do metro, uma partícula do tamanho de um átomo, capaz de atravessar até mesmo poros da pele. Um dos desafios da terapêutica está em conseguir atingir o órgão alvo da enfermidade com precisão. É como um franco atirador ser capaz de não errar sua mira. As ciências farmacêuticas têm apresentado inovações surpreendentes, entre elas, a nanotecnologia empregada com fins terapêuticos que permite aos princípios ativos atingirem o órgão alvo com benefícios fundamentais como o de preservar, proteger e impedir que estes sejam degradados, tendo em vista existirem bioativos que são extremamente sensíveis e podem perder sua atividade antes mesmo de atingir seu alvo.

A Medicina Regenerativa tem alçado patamares de excelência. Um Centro de Referência Brasileiro desenvolveu uma matriz extracelular celulósica capaz de carrear bioativos com alto poder de permeação e regeneração tecidual sendo uma opção revolucionária no tratamento de úlceras de diversas etiologias antes sem solução, evitando amputação de membros e até mesmo a morte do paciente. Doenças como Fogo Selvagem, Síndrome de Steve Johnson, graves queimaduras, lesões que não cicatrizam foram debeladas com esta membrana desenvolvida por nanotecnologia e com células-tronco regenerativas.

As técnicas de (ACT) Advanced Cellular Therapy (Terapia Celular Avançada) apresentam eficácica de vanguarda frente ao tratamento de desafios antes sem resolução, os casos terapêuticos registrados são impressionantes e os resultados alcançados ainda mais surpreendentes. É fundamental que todos tenham acesso à informação destas alternativas terapêuticas já disponíveis, evitando assim amputações e tanto sofrimento desnecessário. O interessante é que os componentes utilizados são bioativos naturais que pela ciência biotecnológica são processados de forma a alcançar o máximo de sua eficácia garantindo-se que alcance o sítio de ação em concentrações terapêuticas que propiciem máxima eficácia.

Em um futuro promissor vemos um leque de possibilidades terapêuticas com ACT, estudos já têm sido realizados nos mais diversos segmentos. Na oftalmologia será possível o tratamento de lesões corneanas de alta complexidade promovendo ação antimicrobiana e completa regeneração. Na odontologia o implante de células tronco já comprovou a possibilidade do desenvolvimento e crescimento ósseo com formação de dentes, uma alternativa aos implantes ósseos de altíssimo custo e às desconfortáveis dentaduras.

A biotecnologia também é usada com sucesso na cicatrização de feridas por radioterapia e, ainda neste segmento poderá ser utilizada na administração de princípios ativos que induzam a morte das células cancerígenas garantindo incidência menor de efeitos colaterais por fazer com que estes atinjam direta e unicamente as células tumorais.

Os procedimentos cirúrgicos em diabéticos, pacientes com dificuldade de cicratização, poderão ter um pós-operatório mais confortável pela rápida regeneração tecidual com o uso das células tronco e da nanotecnologia, permitindo rápida recuperação e menos dias de permanência hospitalar. Na dermatologia vemos um amplo campo de utilização com tratamentos estéticos de alta relevância como de rugas e linhas de expressão em formulações biotecnológicas que protejam a pele contra o fotoenvelhecimento e promovam o tão sonhado rejuvenescimento evitando injeções de preenchimento e uso do conhecido botox que é potencialmente perigoso à saúde.

Outra queixa comum são as bolsas de gordura na região dos olhos; antes não havia outra alternativa além da blefaroplastia que é um procedimento de plástica cirúrgica, em breve já existirá a possibilidade da utilização de bioativos nanotecnológicos que reduzem a flacidez das pálpebras evitando cirurgia. Os nossos esforços traduzem a ardente expectativa de que a ciência esteja ao alcance de todos.

Marcos Cândido de Azevedo é presidente e fundador do Centro de Estudos em Nutracêuticos (Cenutra) e fundador do Instituto do Desenvolvimento Humano (IDH)

Uespi dará início a pesquisas pioneiras de produção e uso medicinal de canabidiol

Para um dos pesquisadores envolvidos no projeto, professor Fabrício Amaral, essa autorização pioneira dá uma contribuição para o estado nas áreas social, econômica e técnico-científica

Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí está em vias de iniciar os trabalhos de pesquisa dos primeiros projetos aprovados pelo governo estadual para o canabidiol, substância obtida do óleo da Cannabis sativa. O Piauí é o primeiro estado do país a autorizar a viabilização do projeto.

O grupo de pesquisadores responsáveis já estuda a substância há algum tempo, mas com a recente autorização do governador Wellington Dias para a produção do óleo no estado, foram criados projetos a serem executados pela Uespi e também pela UFPI (Universidade Federal do Piauí). As universidades fabricarão o medicamento em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) e o Centro Integrado de Reabilitação (Ceir).

Para um dos pesquisadores envolvidos no projeto, professor Fabrício Amaral, essa autorização pioneira dá uma contribuição para o estado nas áreas social, econômica e técnico-científica. “Estamos falando de grupos de pacientes que têm poucos recursos terapêuticos, de uma demanda reprimida de pais desesperados que veem um filho com 30, 40 crises convulsivas por dia”, explica.

De acordo com Amaral, a iniciativa abre portas para que o estado, inclusive, fabrique o produto para outras federações. “À medida em que você promove o desenvolvimento de novos fármacos, está criando um parque tecnológico que vai facilitar não só a comercialização do canabidiol como o desenvolvimento de futuros produtos”, acrescenta.

Histórico
O diálogo para que essa autorização pudesse ser realizada teve início com o I Simpósio Sobre Uso Medicinal dos Canabinóides, ocorrido em março de 2017, e do qual a Uespi foi parceira na realização. “O simpósio esclareceu à sociedade porque ainda existe toda aquela cultura quando se fala da maconha. Aqui não se trata de projetos da liberação do uso da maconha para uso recreativo, mas do uso de uma substância isolada da planta, a partir da qual é feito o tratamento”, relembra uma das pesquisadoras, professora Rosemarie Brandim Marques.

A partir do evento, foram realizadas reuniões entre as instituições que trabalham com a temática, como a Uespi, UFPI e Ceir, e cada uma ficou responsável por montar projetos distintos. “Isso foi definido desde a programação que nós fizemos, que ocorreu lá no simpósio, e está bem definido em quê cada instituição vai contribuir para esse projeto. A Uespi vai fazer o teste de segurança genética e genotóxica, tanto antes de começar a distribuição com testes em animais para saber se há alteração a nível de DNA e também com o acompanhamento genético de pacientes do Ceir”, explica o professor Antônio Luiz Maia.

O Ceir ficará responsável pelo atendimento à população que necessita fazer uso dos medicamentos e também por fazer uma triagem e escolha de quais pacientes vão receber esse canabidiol produzido aqui, além do acompanhamento clínico. Já, a UFPI montou um projeto para cultivar a cannabis e extrair o óleo, o que levará um tempo para se concretizar, segundo os pesquisadores, visto que há que se fazer a seleção de mudas, do tipo, do rendimento. Logo, o início do projeto da Uespi se dará com o canabidiol importado e espera-se que, de seis meses a um ano, já exista a produção do óleo no estado.

Os projetos das três instituições estão no momento aguardando a liberação das verbas, que totalizam um montante de R$ 1 milhão. Além disso, também aguardam as autorizações da Anvisa e da Polícia Federal. “Estamos passando por todas essas etapas de forma bem sucedida, e agora nossa próxima etapa é, a partir do recurso liberado, cada instituição fazer sua parte, seus projetos. Dependemos do orçamento do governo”, esclarece Rosemarie. Ainda em 2018, o estado contará com uma câmara setorial de biotecnologia para apoiar a produção.

Epilepsia
Os três projetos terão um foco primordial no tratamento da epilepsia refratária, doença para a qual os medicamentos atuais têm seus efeitos diminuídos com o passar do tempo. A Anvisa já liberou tratamento também para a espasticidade, efeito que a esclerose múltipla traz ao paciente, onde ele perde a motilidade. De acordo com os pesquisadores da Uespi, existem outras doenças que estão sendo pesquisadas, mas a que está no momento sendo bastante utilizada é a epilepsia refratária.

O canabidiol é uma substância que não causa dependência, de acordo com Fabrício Amaral. O professor explica que na epilepsia a substância gera uma diminuição das atividades dos neurônios, e essa diminuição contribui para uma diminuição da excitação cerebral, comum em epiléticos. “O mecanismo em si ainda está sendo estudado, mas já é muito mais efetivo que os medicamentos que já existem no mercado. Além disso, ele é excelente analgésico, gera diminuição de dor em algumas situações, como na esclerose, e isso melhora a qualidade de vida do paciente”, diz.

Os pesquisadores também relataram que é importante o envolvimento da Uespi na pesquisa. “A Uespi hoje disponibiliza tanto recursos humanos, de propriedade intelectual, como de estrutura física para estar realizando esses experimentos dentro da própria instituição. Nossos professores são capacitados dentro da parte da pesquisa genotóxica”, comenta Maia, e acrescenta Rosemarie: “Hoje em dia você não consegue mais colocar no mercado um medicamento sem esses testes, a própria Anvisa exige isso”.

USP e UFSCar desenvolvem quatro novos compostos contra o câncer de mama

Em testes em animais, moléculas desenvolvidas em São Carlos (SP) se mostraram mais eficientes que as utilizadas atualmente no tratamento da doença.

On 4 Janeiro, 2018

uatro compostos moleculares desenvolvidos em São Carlos (SP) – em uma parceria da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Carlos (UFScar) – mostraram desempenho superior ao medicamento utilizados no tratamento de câncer de mama.

As moléculas anticancerígenas foram criadas por uma pesquisa liderada pelos professores e pesquisadores Alzir Batista, do Departamento de Química da UFSCar, e Javier Ellena, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

O objetivo do estudo é desenvolver um insumo farmacêutico mais efetivo e que cause menos efeitos colaterais que os atuais medicamentos usados no tratamento de câncer de mama.

De acordo com cientistas, as novas moléculas são mais eficientes para atingir as células cancerígenas e tem baixo residual no organismo.

Em testes in vitro com células de mamas humanas contendo tumor esses novos compostos apresentaram mais eficiência e deixaram menos resíduos que os componentes do cisplatina, que atualmente é usado no tratamento.

Mais eficiente e mais rápido

Os compostos criados contêm fosfina, cloro e dimina, substâncias que, respectivamente, auxiliam na entrada dos fármacos nas células, os mantêm estáveis e os ajudam a se ligar ao DNA, interrompendo a proliferação das células tumorais.

Alguns desses componentes fazem uma espécie de camuflagem da molécula para que ela trafegue pelo corpo sem ser barrado pelos anticorpos.

O grande diferencial do estudo é associar as moléculas ao rutênio. Segundo Ellena, esse metal carrega a molécula pelo corpo de uma forma mais rápida, levando-as até as células na qual elas devem atuar.

Dessa forma, o medicamento fica muito mais eficiente, fazendo com que seja necessária uma dosagem menor, o que diminui os efeitos colaterais.

Vários medicamentos utilizam metal para se transportarem pelo corpo humano, são os chamados metalfarmaco. A vantagem do rutênio é a semelhança de sua química com a do ferro, um elemento que está presente no organismo humano.

Segundo o físico, as moléculas desenvolvidas são específicas para câncer de mama. Para ele, não há uma pílula milagrosa que vá resolver todos os tipos de câncer.

“Se tem uma proteína agindo de tal maneira, você tem que conseguir uma chave para travar essa proteína para que ela deixe de trabalhar para que a célula cancerígena acabe morrendo ou não consiga se reproduzir. Mas essa estrutura chave-fechadura tem que ser desenhada em nível molecular e isso tem que fazer com todo cuidado, pois uma pequena diferença, um átomo a mais no lugar errado não funciona ou pode exercer efeito contrário e matar uma pessoa”, explicou Ellena.
Arquitetos de moléculas

De acordo com Batista, o desenvolvimento desses quatro compostos é resultado de uma linha de pesquisa de mais de 20 anos, que busca criar moléculas capazes de tratar doenças com mais eficiência e menos efeitos colaterais do que as existentes.

A pesquisa pode mudar a sistemática do tratamento de câncer, hoje baseada em grande parte em quimioterapia.

Cada molécula é construída peça por peça, como um quebra cabeça, desenhada especialmente para atuar em uma área específica. Cada composto é encaixado para que a molécula seja perfeita para atingir seu objetivo.

A pesquisa pode mudar a sistemática do tratamento de câncer, hoje baseada em grande parte em quimioterapia.

Cada molécula é construída peça por peça, como um quebra cabeça, desenhada especialmente para atuar em uma área específica. Cada composto é encaixado para que a molécula seja perfeita para atingir seu objetivo.

Essa linha de pesquisa desenvolve moléculas também para outras doenças como outros tipos de câncer, tuberculose, malária, doença de Chagas e leishmaniose. A dupla já constriuiu mais de 200 moléculas.

A partir da definição do alvo, os cientistas vão desenhando e lapidando a molécula, como a um diamante até que atinja o brilho máximo. Isso pode demorar décadas.

“Cria-se um grupo [de pesquisadores] dentro de um panorama que tem em mente e testa aquele composto. Nem sempre dá certo e vai aprimorando. A gente pode encontrar uma molécula que seja boa contra o câncer, mas se ela atinge a célula cancerígena e a sadia na mesma proporção ela não nos serve”, explicou Barbosa.

A partir das falhas a equipe procura aprimorar a molécula e testa novamente e assim sucessivamente. Isso permite voltar ao composto e modificar o que precisa para que ele funciona melhor até que ele atinge o índice de efetividade desejado ou máximo para aquela substância.

Longo caminho

Desenvolver um novo composto que possa ser incorporado a um medicamento que seja eficiente dentro do organismo e coloca-lo no mercado é uma missão que demanda muito tempo. A média é que a cada 5 mil compostos sintetizados um chega a testes em humanos.

Apesar de ter passado com louvor pelos testes em laboratórios e estar na fase de teste em animais, a pesquisa destes compostos ainda deve demorar pelo menos 15 anos.

Além de comprovar a sua eficiência contra a doença é preciso saber em como ela age no corpo humano, se atinge outros órgãos, se causa contaminação. Também é necessário estudar como sintetiza-la, melhorar sua formulação, dosagem, residual etc. para que possa chegar à sociedade.

Todos estes testes são feitos em laboratórios, depois em animais, para depois serem feitos em humanos, repetidos centenas de vezes. Depois é necessário obter todas as licenças para colocar no mercado.

Uma das maiores dificuldades sentidas pelo químico Barbosa é a falta de hospitais que se arrisquem a apoiar a pesquisa em testes. Isso tem dificultado que possíveis fármacos tenham seus resultados testados em doentes.

Trabalho conjunto

A pesquisa é feita por um grupo multidisciplinar. Além da USP e da UFSCar, envolve cientistas da Universidade Federal de Ouro Preto, Universidade Federal Fluminense, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Universitat de Barcelona (Espanha), das áreas de química, física, biologia, matemática, farmácia e medicina.

A multidisciplinaridade é necessária porque além de montar a estrutura da molécula perfeita, ainda é preciso testá-la em diversos campos, formulá-la para que se torne um medicamento.

Para Alzir, a comunidade científica existente em São Carlos facilita a pesquisa. “ A proximidade dos pesquisadores e a boa vontade de trabalhar junto”, afirmou.

Os cientistas dizem que a prática, antes rara, tem se tornado mais rotineira. “A própria comunidade cientifica brasileira se deu conta que precisa trabalhar junto”, afirmou Batista.

Fonte: G1

Teuto incentiva varejo com programa de gestão

On 4 Janeiro, 2018

Ao longo do ano, o Seu Negócio Mais Lucrativo, programa de gestão do Laboratório Teuto, promoveu ações em todo o Brasil, oferecendo cursos de gestão de alto desempenho para o pequeno e médio varejo e grandes redes farmacêuticas. Em cinco anos, mais de 15 mil profissionais, entre gestores, donos e gerentes de farmácias já foram atendidos.

“Além de capacitar os proprietários de farmácia em relação à gestão da empresa, o programa proporciona a reflexão sobre o negócio e cria possibilidades de mudanças imediatas”, ressalta Claudio Louzada, coordenador de treinamentos do Teuto.

Entre as etapas, foram realizados cursos em parceria com a Drogaria São Bento, de Campo Grande (MS); Grupo Farma e Distribuidora Oriente, de Belo Horizonte (MG); Farmácias Nissei, Fortefarma e Distribuidora Dimebrás, de Curitiba (PR); Rede Universal e Distribuidora Farmix, de Ouro Preto (MG); Farmácias Associadas, de Porto Alegre (RS), Rede Compre Certo, de Uberlândia (MG) e Distribuidora Emefarma, do Rio de Janeiro (RJ).

O programa é ministrado pelo Instituto Bula e completa seu sexto ano em 2018. Com formatos dinâmicos e flexíveis, os cursos têm duração de oito, 16 e 24 horas. Aos farmacistas e distribuidores interessados em participar, basta entrar em contato com a equipe de vendas de sua região.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico